EUTANÁSIA EM PORTUGAL. Falamos com o Manuel Matias, ex-presidente do PPV/CDC agora fundido com o Partido Chega.


Pedro Dos Santos Fraçao

Nesta entrevista falamos com o Manuel Matias, ex-presidente do PPV/CDC agora fundido com o Partido Chega!, sobre um importante aspeto da atualidade política portuguesa: a aprovação da lei da eutanásia e a sua iminente regulamentação. 

1- Como ex-líder do Partido Pró-Vida Português que se fundiu agora com o partido Chega, como encara a situação da causa pró-vida, após a aprovação da lei da eutanásia em Espanha e agora em Janeiro em Portugal? 

É naturalmente uma situação preocupante. Em qualquer altura uma aprovação de uma lei destas constitui sempre uma derrota da sociedade, do Estado e da família. Numa altura de pandemia, em que tanto foi feito para a salvação de vidas, em que se parou até a economia em nome da saúde, aprovar uma lei destas constitui um verdadeiro golpe imoral sobre todos os sacrifícios que tanto portugueses e espanhóis fizeram pelo bem maior. No caso português a lei da eutanásia será aprovada quando nem sequer existe uma rede de cuidados paliativos nacional, em que nem sequer está garantido aos portugueses os cuidados de saúde fundamentais em fim de vida. É um governo que prefere legislar sobre a morte antes de garantir a vida. É a total falência moral do regime.   

2- Sendo o partido Chega um partido de raíz anti-sistémico e vendo o sistema a aprovar cada vez mais leis iníquas, acredita que o futuro da causa pró-vida passa por romper com o regime vigente e o seu equilíbrio? 

Há duas visões sobre isto, uma primeira que acredita que é possível mudar o paradigma por dentro e outra que encara a mudança como estrutural e por isso que rompa com o status-quo. O Chega agrega sobre si um enorme conjunto de sensibilidades políticas que acredita que o atual sistema para além de esgotado, é incapaz de responder às necessidades e anseios do povo português. Há por isso também quem como eu que acredita que esse esvaziamento do regime começa pela imoralidade do mesmo. O sistema deixa de garantir o mais básico de tudo, a Vida Humana. Naturalmente um regime político que não acredita na dignidade inviolável da Vida Humana tem os dias contados porque entra na espiral do relativismo e destrói-se a si mesmo. A sensação é precisamente esta, a terceira república está a destruir-se a si mesma, é a sua pior inimiga. 

3-  Os portugueses terão eleições presidenciais em Janeiro de 2021, André Ventura será candidato. Como é que os portugueses encaram a sua candidatura? Qual a sua expectativa? 

Há um grande entusiasmo popular em torno de André Ventura, tem sobre si uma aura que poucas vezes houve nas últimas décadas da política portuguesa. Uma das coisas que mais me impressiona quando o acompanho, é a sua relação com o povo. Há uma grande tendência para tratá-lo por tu, ou pela primeira pessoa, isto não é normal na política portuguesa. A proximidade entre o eleito e o eleitor, a empatia que gera a simpatia no voto. O povo reconhece isso e é um fenómeno transversal entre diferentes gerações. Não sei se é o populismo que se está a tornar popular, ou se quem o acusa de populista está no fundo com ressabiamento sobre a sua popularidade, mas é o fenómeno político mais paradoxal até ver do século XXI em Portugal. Não faço previsões sobre o resultado eleitoral de André Ventura, mas reconheço uma coisa: quem nunca votou, quem se abstém ou quem quer usar o voto como uma arma de protesto tem em André Ventura uma grande oportunidade de fazer valer o seu voto. Estou por isso genuinamente convicto que o resultado será uma surpresa muito grande, mas com humildade democrática, veremos o que irá acontecer.    

4-  Em Espanha verificamos que o Chega tem sofrido diversos ataques por parte da comunicação social portuguesa e alguma imprensa internacional, é sabido que os media têm uma relação hostil com o partido, porque acha que isso se verifica?  

Pessoalmente acredito que a relação entre os media e os políticos seja talvez a principal razão para o deterioramento das democracias ocidentais. Sobretudo o que salta à vista na forma como os media se relacionam com o partido, é uma enorme incapacidade de compreender o fenómeno. O Chega é um movimento plural na forma como abrange diferentes tipos de eleitorados que de alguma forma ficaram totalmente para trás com as políticas levadas a cabo nas últimas duas décadas de estagnação e recessão económica. Naturalmente que o Chega irá traduzir em votos uma tendência internacional de um desgaste muito grande com estas políticas. Estes eleitorados estavam totalmente adormecidos em Portugal, e por um lado, as elites têm uma grande dificuldade em lidar com ele porque para isso seria necessário reconhecer o seu próprio fracasso. As elites portuguesas fracassaram por completo em representar os portugueses e a história portuguesa mostra bem o que acontece quando as elites se desligam do seu povo, no entanto, também espelham muito bem o que acontece quando estas representam, defendem e estão ao lado do povo. Por isso, as relações com os media são uma consequência deste problema. Tudo aquilo que mexa com o establishment fará tremer os mais poderosos, e por isso, o que me choca particularmente com os ataques ao partido é o constante blasfemar do código deontológico do jornalismo. Não existe qualquer rigor pela verdade dos factos ou pelo contraditório. Entrámos numa era do pós-verdade e isso é assustador, mas é também uma consequência do relativismo do regime. Não existe verdade, existe a minha verdade ou a tua verdade, cada um acredita no que quiser, esta premissa como forma de organização de uma sociedade é absolutamente auto-destrutiva.     

5- No futuro, qual espera ser os próximos passos do movimento pró-vida português? Como pensa que se travará o combate? 

O combate será essencialmente cultural. Isto é, acredito que a cultura define o cerne da economia e poderá ser até o seu próprio motor. O desafio será associar uma cultura que defenda a Vida e a Família ao conceito de uma economia de crescimento e prosperidade. Acredito plenamente que isto seja possível e esta é a minha ideia de progresso.

No curto prazo acredito que isto se materializa em políticas que privilegiam as famílias a poderem passar mais tempo com os seus filhos. Medidas neste sentido serão uma autêntica revolução nas sociedades e verdadeiras bombas atómicas no relativismo moral.   

6- Por fim, gostaria de deixar alguma mensagem final para o ano que finda mas sobretudo para o ano que se iniciará? 

Para Portugal e para os portugueses acredito que o ano de 2021 será um ano de profundas transformações políticas no país que poderá pôr fim a um ciclo de mais de 25 anos de socialismo. É por isso uma mensagem de esperança e sobretudo, de perseverança.

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